sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Teatro

Fotos: William Flat.
“Uí”

O Grupo Teatral da Casa de Cultura de São Miguel Paulista apresentou ontem às 20 horas no CEU Parque São Carlos a peça teatral “Uí”, com a direção de Roberto Taty. A equipe é composta em sua grande maioria de pessoas iniciantes na arte teatral e conta também com o auxílio de atores profissionais que emprestam sua experiência ao grupo e ao mesmo tempo, aprendem com aqueles que, no palco profissional do CEU, dão seus primeiros passos como artistas.
O curso iniciado em março desse ano na Casa de Cultura de São Miguel tem como objetivo despertar a paixão dos jovens pela arte teatral, assim como prepará-los para os obstáculos que virão a seguir, como ter atitudes cidadãs e se dar bem no mercado de trabalho. – No curso nós procuramos despertar o que há de melhor neles, é um trabalho de investigação e construção de cidadania. Diz o professor Roberto Taty. – De cada vinte atores formandos, apenas dois ou três seguem a carreira artística, o restante, apesar de trabalhar em outros setores, sempre carregarão os ensinamentos de palco com eles, como por exemplo, utilizar corretamente sua expressão corporal, o tipo de tom de voz adequado a cada situação, o ator é uma pessoa mais sensível, dinâmica, se adequa melhor às mais diversas situações impressas pelo mercado de trabalho.
Camila de Campos, atriz de 14 anos do grupo confirma – Melhorei meu desempenho na escola depois do começo do curso, tenho mais facilidade em me expressar com o público, além de melhorar minha leitura. Mais uma atriz iniciante, a jovem Cristal afirma – É uma honra poder começar em um teatro profissional, com toda essa estrutura, são experiências que carregarei por toda a vida.
Uí é uma colagem de texto, diz o diretor, vários trechos de peças diferentes são unidos para criar um espetáculo só. Em uma situação comum, temos apenas dois ou três personagens principais, ou seja, que se destacam. Resolvi apostar em uma apresentação com vários recortes, pois os atores têm mais chances de interpretar situações diversas. Como é o caso de Ivan, que interpreta em uma cena um amante que vira travesti e em outra cena um padre que se enrola com o próprio sotaque. – Sou professor de história e busquei o curso de teatro para aprimorar meu desempenho em sala de aula, além, é claro, de ser um sonho antigo.
Com o fim do curso, os alunos não pensam em parar por aí. No começo do ano recomeçam as aulas, agora com dois grupos, um de principiantes e outro, este já com a presença dos alunos de 2010, com um grupo já avançado.
Esta iniciativa da Casa de Cultura de São Miguel vem trazendo uma nova perspectiva do cenário cultural do bairro. Com cursos que variam entre yoga, dança do ventre, capoeira, teatro, teatro vocacional, canto, cavaquinho e dança de salão. São Miguel sempre foi um pólo cultural e agora vem demonstrando o surgimento de uma nova geração de artistas apaixonados pela região. Sacha Arcanjo, Zulu de Arrebata e Edvaldo Santana já mostraram ao Brasil a força da cultura de São Miguel, agora esperamos um novo movimento cultural no bairro. A Casa de Cultura de São Miguel está localizada na rua Irineu Bonard, n. 169, na Vila Pedroso e todos seus cursos são gratuitos e abertos à população.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Abaixo o ENEM!


Abaixo o ENEM.

Sou dono de um dos maiores cursinhos de São Paulo e venho prestar minha indignação diante a essa transformação do ensino superior no Brasil. Antes, o direito a educação de nível superior tinha que passar obrigatoriamente pela minha escola, e é claro, o preço ia de acordo com o que eu estipulasse. Estava tudo bem, o ensino superior sempre pertenceu às elites brasileiras, imaginem se pessoas de classes sociais inferiores tivessem acesso às universidades, quem precisaria de cursinhos para garantir seu lugar?
Com este governo que ampliou as universidades federais, cada vez menos estudantes procuram minha instituição. É a lei da oferta e procura, a oferta de faculdades começa a crescer e o ENEM garante uma nova forma de vestibular, com temas da atualidade, sem formulas secretas, e meu patrimônio começa a perder a solidez. Hoje qualquer miserável pode entrar em uma universidade, tudo culpa desse governo de cunho social que pensa mais na população do que nos que os sustentam, os empresários.
O que fazer? Devemos destruir o ENEM pegando pequenas falhas dele e transformando em falhas enormes, tem muita gente querendo devolver o ensino superior às classes mais favorecidas, com isso contamos com a Rede Globo, com a Revista Veja, com o Estadão e a Folha de São Paulo. O ENEM é a porta de entrada para os pobres na universidade, se fecharmos a porta, logo meu negócio começa a crescer novamente.
Já sabemos que provas sempre dão problemas, isso é normal em vestibulares, sempre tem questões que são anuladas ou questionadas, os cadernos amarelos que apresentavam erros de gráfica não chegaram a 1%, mas se a gente pegar esses 1% e fizermos uma verdadeira tempestade em cima disso, vamos convencer a população de que não precisamos mais do ENEM, não precisamos mais desse ministro da educação e a porta se fecha novamente.
Vale tudo, Jornal Nacional dando destaque aos erros do ENEM, Casseta e Planeta com sátiras ao ministro colocando uma orelha de burro nele, vale incentivar os alunos a fazerem manifestações contra as falhas, vale até pagar um funcionário da gráfica para errar na impressão ou roubar a prova idiotamente em frente às câmeras.
Só assim, nós, ricos, “amilhardários”, bem de vida e preocupados com o futuro dos nossos filhos poderemos devolver a eles o direito a educação segregante brasileira.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SALVE GERAL




SALVE GERAL





“A maior ação contra o narcotráfico na história do Brasil”, diz no jornal americano The New York Time”, êxito da ação reconhecida pela mídia brasileira, estrangeira e principalmente pela população que, assim como eu, se sentiu orgulhoso de ser brasileiro. O narcotráfico sul americano perde poder e vivemos um momento histórico nesta trajetória de luta pela dignidade humana.



Os traficantes subestimaram o poder da polícia, da população e do governo quando tentaram dominar o Rio de Janeiro promovendo uma semana de caos nas ruas, com carros queimados, crimes em série e bases da polícia metralhadas. Tinha tudo para dar certo, como deu em São Paulo, quando o PCC, primeiro comando da capital, dominou a cidade, fechou todo o comércio, mandou os trabalhadores para casa e colocou o Governador Geraldo Alkmin, do PSDB, em pânico.



Mas o que houve dessa vez foi uma verdadeira caça aos traficantes, com direito a fugas dentro do ralo, como se eles fossem ratos fugindo da dedetização. O que eles não esperavam era uma postura diferente do Governador Sérgio Cabral. O governador do Rio de Janeiro pediu ajuda ao Lula, o Geraldo Alkmin aos traficantes. Quando o nome maior do governo viu que não teria como controlar a situação instalada nas ruas do rio, pediu a auxílio do governo federal e do exército e assim, colocou seu nome de forma positiva na história deste país.



Enquanto a ocupação de São Paulo em 2006 foi enfrentada com interesses políticos pelo governador, que chamou os bandidos para negociar, o Rio de Janeiro resolveu de forma heróica a situação. Com apoio dos moradores das comunidades, denunciando os traficantes, com apoio da polícia e seu setor de inteligência, apreendendo mais de 40 toneladas de drogas e com o apoio do exército, que além de destruir os obstáculos construídos pelos traficantes com seus imponentes tanques de guerra, chamaram a atenção da imprensa mundial para p acontecimento.



Parabéns às atitudes heróicas que levaram a paz às comunidades do Rio, parabéns à humildade do governo em pedir auxílio quando perceberam que estavam levando a pior contra o movimento de terror. Serve de lição aos covardes que negociam com traficantes. Esperamos agora que a ação seja constante e que seja investido na educação, saúde, profissionalização e melhorias na comunidade, para que não seja fabricado pelo sistema mais traficantes, para que o jovem da periferia tenha acesso a dignidade, saúde e educação, para que ele tenha mais opções de vida.